Mensagem do mês
Por Fernando Loureiro
Fundador da FreeFlow
SWÁSTHYA YÔGA: UMA CODIFICAÇÃO QUE MERECE ESTUDO
Quando vemos alguém em elaborados pensamentos sobre a vida que intelectualmente não consegue transcender, é habitual aconselhar algum tipo de disciplina prática que amenize ou elimine as dispersões dos fluxos mentais.
Não há dúvida que temos muitas opções, mas é muito comum que o yôga venha à tona da conversa. Isto porque usufrui em simultâneo de boa e má fama. A boa fama decorre dos seus evidentes efeitos no reforço físico, psíquico e de estabilização da consciência. A má fama resulta de alguma confusão relativamente às metodologias, à associação equivocada a aspectos espiritualistas ou místicos, ou ainda pelo facto de ter uma influência cultural muito diferente daquilo que o ocidente considera familiar.
Note-se no entanto que, independentemente da escola ou linha de yôga que estudemos, ao separarmos a parra da uva, notamos que a eficácia da prática decorre do efeito instrumental de coisas tão simples como reeducação respiratória, técnicas corporais fortificantes, treino da capacidade de se abandonar num descanso lúcido, ou de apurar a concentração até desembocar no processo meditativo (porta de acesso à intuição).
Associados aos instrumentos estão múltiplos rituais, ângulos de interpretação cultural, e até associações religiosas. É aí que acontece um bloqueio para muitos que fazem soar o alarme do medo ou preconceito.
No meu caso, não teria nunca mergulhado no yôga se não tivesse descoberto uma proposta que - apesar de manter em pano de fundo uma bagagem cultural e comportamental - se pratica de uma forma muito descontraída, técnica e em bom clima emocional.
Sou daqueles que desde cedo se entregaram a questionar o mundo que os rodeia. Pensamentos sobre a vida, reflexões, observações e crescimento interior sempre me interessaram muito.
No dia em que tomei a iniciativa de experimentar o yôga, quis que fosse uma metodologia muito terra a terra. Sem folclore, exploração de medos, manipulação de crenças religiosas, ou qualquer outra forma de desvio do fim último: expandir consciência e evoluir de forma mais natural do que conseguia fazer com o empirismo e a análise intelectual a que me limitava.
Diga-se no entanto que, nesta altura da minha vida se tornou evidente que cada um deve escolher a disciplina que melhor se encaixa com a sua visão do mundo. Só acrescento é que deve estar presente uma sensação de empatia com a proposta e a noção de os medos se reduzirem, a consciência tornar tudo mais claro, e a saúde em sentido lato se fortificar.
Estes sinais são evidentes... reduz-se entropia na nossa cabeça e nas circunstâncias, pelo que cultivamos de bom grado o progresso usando as ferramentas da metodologia escolhida.
Se, inversamente, ocorre a fragmentação gerada pelo medo, o coração pesa e duvida, a intuição não se revela, teremos de perceber se não estamos apenas a seguir algo como se fosse uma tábua de salvação. Fechar os olhos e agarrar na mão de um líder a quem delegamos um poder que não podemos nunca delegar é potencialmente muito nefasto.
Isto aplica-se tanto ao yôga como a qualquer outra coisa na vida. A responsabilidade pelas nossas escolhas deve ser exercida com a máxima lucidez possível, pelo que devemos estar abertos a ensinamento e influência, mas sempre soberanamente atentos e cientes que a decisão final é nossa.
A codificação a que o Mestre DeRose deu o nome de Swásthya Yôga assume uma sequência de técnicas em oito partes que se revela extremamente eficaz. E quando uso este termo, faço-o por ser aquele que melhor descreve o pragmatismo de reconhecer o nível de dispersão e baixa concentração com que a maioria dos seres humanos vivem o seu dia a dia. Reconhecido este ponto de partida, faz todo o sentido que utilizemos a respiração, a vocalização de mantras repetitivos, a movimentação corporal, entre outras técnicas para indirectamente dirigir a atenção no sentido de desembocar num estado de bem-estar facilitador de alguns minutos de concentração no final da prática.
Swásthya é um termo sânscrito que significa auto-suficiência, saúde, bem-estar, conforto, ou satisfação. Destaca-se no entanto a auto-suficiência. Atribuo como primordial o objectivo de nos fortificarmos através da prática para sentir a plenitude que nos permite viver de forma mais funcional e responsável. Ver o mundo e as outras pessoas como um prazer e desafio adicional ao trajecto, e não como objectos de ira, desejo ou aversão a quem cometemos o equívoco de responsabilizar por não se adequarem às nossas expectativas.
Apesar de eu ter escolhido o Swásthya Yôga, e portanto só poder falar à luz da minha experiência, desejo através deste texto estimulá-lo(a) a pesquisar e tentar encontrar uma metodologia que lhe traga a qualidade de vida efectiva que poderá estar a desejar e a procurar em objectos externos, transitórios que não existem para lhe agradar.








